Jaguaribara. Pelo menos duas mil pessoas deste município ficarão desempregadas diante do colapso na criação de tilápia em tanques-rede no açude Castanhão. Há pouco mais de 15 dias, os piscicultores vêm sofrendo perdas significativas ocasionadas pela baixa oxigenação da água do reservatório, que dizimou mais de 80% da produção. A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) investiga as causas da mortandade. Os prejuízos já chegam à casa dos R$ 10 milhões.

Hoje pela manhã, a partir das 9h, haverá uma caminhada envolvendo piscicultores, baixa oxigenação da água do reservatório comunidade e autoridades locais, buscando chamar atenção do governo para a problemática. Até o momento, apenas medidas emergenciais de retirada do peixe do açude foram tomadas. Na terça-feira, na Câmara de Vereadores, haverá audiência pública também tratando do assunto. Na ocasião, será formado um grupo que irá fazer um levantamento das perdas e do prejuízo. O relatório será encaminhado ao governador para que sejam tomadas medidas.

“A piscicultura emprega mais de duas mil pessoas diretamente e, a grosso modo, acredito que pelo menos 80% desses empregos não irão mais existir. É um impacto gigantesco na vida dessas famílias e na econômica local”, avalia. Jaguaribara tem uma população de 10.405 habitantes, segundo dados de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a piscicultura é a principal atividade econômica, afirma o prefeito Francini Guedes. Ainda segundo o prefeito, toda a produção do Parque Aquícola de Jaguaribara foi dizimada. “A última grande mortandade ocorreu no Curupati Peixe. Lá foram mais de 700 toneladas de uma vez só. Ainda há alguma produção mais pro lado de Alto Santo, mas muito pequena. Aqui e Jaguaribara a perda foi total”, lamenta.

O trabalho de retirada dos peixes das gaiolas continua e, segundo o presidente da Associação dos Criadores de Tilápia da Barragem Castanhão (Acritica), Edivando Feitosa, deverá se estender até o fim da semana. Segundo ele, as perdas foram totais para associação, que produzia em média 300 toneladas de tilápia por mês. “Só na nossa associação, são 25 pessoas trabalhando para retirar o peixe do açude e acredito que até o fim da semana não tenhamos terminado. Nossa perda foi total”, conta.

Segundo Edivando, das 250 pessoas que trabalham diretamente na associação, ao menos 150 deverão ficar desempregadas: “Fica todo mundo triste com isso e sem saber o que fazer. A gente espera que o governo possa fazer alguma coisa por nós. Já tivemos muitas perdas, desde sair da nossa cidade até isso que tá acontecendo”.

Os piscicultores que continuarão produzindo deverão ser realocados em novas áreas do açude, mais distantes da parede, porém aguardam medidas do governo e um posicionamento dos bancos para novos financiamentos. Uma equipe da Cogerh investiga o que tem desencadeado a mortandade dos peixes.

Ellen Freitas

Colaboradora

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/piscicultura-tem-perda-de-80-1.1326902

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